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Canto![]()
Não me peça para calar a voz
O sonho está vivo na aurora que desperta
Não me peça para esquecer os caminhos
Que ainda não trilhei
Nem pergunte se irei voltar
A estrada é longa e há tanta vida além!
Sei que o tempo é fugidio e é preciso correr
Para alcançar a vida que se faz passos urgentes...
E não perder-se nas madrugadas
Reprimindo todo desejo que há no peito.
Não me peça para aceitar a paz dos acomodados
Que dormem tranqüilos sem lançar-se ao desafio
De transformar o que quer que seja
Enquanto faz a vida acontecer.
Não me peça para acomodar
Assim eu jamais teria a verdadeira paz!
Não queira que eu cale esse grito...
Não me peça para falar de amor que não seja
O Amor gerado na luta das conquistas coletivas.
Às vezes esquecemos que o Amor também
É uma forma de liberdade.
Não queira que eu fale de alegria somente
Se a dor sangra suas feridas
Nas favelas, nos hospitais, nas filas, becos escuros
Quartos trancados e presídios...
Não queira que eu feche a porta e me anule
Enquanto humano que ousa nos construir...
Nem diga que não vale esse canto
Deixemos o sol romper em nós
Quando nossos olhos se inundam de brisa
No crepúsculo de fim de cada
dia.
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