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Vemos mais quando a luz vai desaparecendo
lenta num fim de tarde
e podemos encarar os pensamentos,
agarrá-los pelos ombros,
olhar dentro de seus olhos:
suspeitos a identificar
por trêmulas testemunhas encapuzadas
em desconhecida delegacia.
São olhados cara a cara
revirados, ouvidos
e anotações cruéis feitas
em inexistentes fichas.
O que pretendíamos dizer
e o que dissemos!
O que jurávamos fazer
mas desistimos!
Julgamentos,
condenações ou absolvições,
só há um réu:
nós.
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