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Nossas construções não serão
partidas
em fragmentos esquecidos, esmagados entre raízes
e esperando pás de arqueólogos
que falarão línguas ainda por nascer.
Nossas estradas não se tornarão leitos de rios,
veias onde circularão o cascalho e a lama,
tambores onde patas de animais ecoarão nas suas migrações
e obstáculos onde as raízes das árvores crescerão mais lentas.
Já construímos o sonho e o pesadelo - é nosso direito -
e a luz de incontáveis anos não os dispersará.
Já ordenamos à Terra e à Vida cumprir nossas sentenças
- e esperamos que obedeçam.
Assim iludidos deixamos marcas de fogo,
de pedra, de água, de papel e de sangue.
Deixamos tudo, confiantes,
acreditando ter erguido a Eternidade.
E desapareceremos na sombra,
dissolvidos pelo tempo, numa dobra esquecida
da memória da Terra, junto aos mamutes,
aos atlantes e aos deuses de povos mortos.
Outros seres, outros povos
talvez nos redescubram
em outras eras, achem nossas bibliotecas e cantem
nossos feitos em suas lendas,
ao lado das lutas sem esperança
de Gilgamesh e de Hércules,
de Arjuna e de Odin,
ao lado dos mensageiros ignorados
Lao Tsé e Jesus, Maomé e Buda,
talvez chorem por nós e nos entendam
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