REMINISCÊNCIAS
               (de Abel Reginatto para Lya Luft)

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Por quê teu olhar me mutila

se já me conhecias

antes de divisar-me

em meio à multidão?

Afasta da memória esta imagem

que teus olhos perscrutam.

Não sou o que vês;

mas, o que está acondicionado

em algum lugar de tua alma.

Reaja às investidas curiosas

desse teu coração ardente.

Vira o rosto para o lado.

Vê quantas sombras

estampadas nos outros.

Não te pertenço,

mas te determino.

Te subjugo

e desperto teus desatinos.

Forço-te a descerrar

o suster do imo:

Te reconheces mulher,

com as inerentes fraquezas

e poderes!

E revolvo teus princípios,

valores e crenças.

Acorda!

Somos frações,

como a hóstia e o vinho na intinção.

Vou sair do teu foco.

Volta à realidade que te oprime.

Em cinco segundos

serei um estorvo.

Não te amofina,

observa ao teu redor,

agora as sombras tem rostos.

Não há perdas;

aceita o que vier.

Um dia

nos encontraremos de novo

através dos olhos

de minha mulher!

-*-

 

 


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