Memórias de Atlântida (I)

 

 

Viver é ver desaparecer  
o que foi eterno - um deus,  
um templo, um povo, um continente,  
um juramento de amor -  
é ver o presente esmaecer,  
sem remorso, sob o desgaste do Tempo,  
enquanto usamos o que restou  
para escrever o futuro.  

Sonhar é querer eterno  
o que já desapareceu  
- cidades devoradas por florestas tropicais,  
maremotos ou rios de lava,  
ou o brilho luminoso do olhar dos amantes,  
tornado opaco pela passagem dos anos -  
enquanto escrevemos um futuro  
igual ao de nossos sonhos interrompidos.  

Entre o viver e o sonhar  
só nos resta respirar  
o tênue ar do possível  
e caminhar ansiosos  
do passado para o futuro.
Felipe Coelho

***

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Dança da chuva

A luz e sua ausência

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Uma manhã      

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