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Viver
é ver desaparecer
o
que foi eterno - um deus,
um
templo, um povo, um continente,
um
juramento de amor -
é
ver o presente esmaecer,
sem
remorso, sob o desgaste do Tempo,
enquanto
usamos o que restou
para
escrever o futuro.
Sonhar
é querer eterno
o
que já desapareceu
-
cidades devoradas por florestas tropicais,
maremotos
ou rios de lava,
ou
o brilho luminoso do olhar dos amantes,
tornado
opaco pela passagem dos anos -
enquanto
escrevemos um futuro
igual
ao de nossos sonhos interrompidos.
Entre
o viver e o sonhar
só
nos resta respirar
o
tênue ar do possível
e
caminhar ansiosos
do
passado para o futuro.
Felipe Coelho
***
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