Memórias de Atlântida (V)

 

 

Não.  
Tuas ruínas não são apenas palácios  
de luz e vento visitados pelo Sol  
ao amanhecer, erguidos em míticas ilhas  
de santos eremitas e de piratas assassinos,  
onde as duas faces do pecado se miram.  

Não,  
Tua glória habita relatos talhados em pedra,  
silenciosos, cobertos de lodo, areia e cinza.  
À tua volta há ânforas de vinho e de azeite  
e estátuas de deuses esquecidos e vingativos,  
quebradas e imersas na noite sem fim.  

Lá estão baús com tesouros recolhidos quando  
ainda havia esperança de escapar  
da definitiva e letal sentença  
contra tudo e todos que te habitavam.  

Os que há muito morreram a tudo vigiam,  
seus ossos servindo de casa aos seres do mar.  
Mas estes se calam. 

                                             Felipe Coelho

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Dança da chuva

A luz e sua ausência

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