Talvez nada mais reste
por
nada ter existido fora do sonho,
ou
pela água, pela lava e pela areia
terem
coberto a tua real eternidade.
Algum
dia entenderemos
que
é indiferente quem te criou
ou
te destruiu,
se
carregava pedras ou sonhos,
se
vomitava as maldições da Terra
ou
se a escavava procurando evidências arqueológicas.
O
tijolo e a pedra são pó e algas,
os
navios, as estátuas e os objetos
se
misturam com os ossos, dormem submersos
em
negras baías.
Mas
durante um tempo breve
iluminamos
a fria escuridão,
a
tua noite silenciosa e opaca
e
a paz de teus mortos
e
juntamos nossos sonhos
aos
dos que morreram há tanto tempo.
Eles
sabem mistérios terríveis,
que
só entenderemos quando for tarde demais.
Felipe
Coelho
http://omnis.if.ufrj.br/~coelho/livros.html
e
http://usuarios.cultura.com.br/migliari/
|