Memórias de Atlântida (VII)

 

 


Talvez nada mais reste  
por nada ter existido fora do sonho,  
ou pela água, pela lava e pela areia  
terem coberto a tua real eternidade.  

Algum dia entenderemos  
que é indiferente quem te criou  
ou te destruiu,  
se carregava pedras ou sonhos,  
se vomitava as maldições da Terra  
ou se a escavava procurando evidências arqueológicas.  

O tijolo e a pedra são pó e algas,  
os navios, as estátuas e os objetos  
se misturam com os ossos, dormem submersos  
em negras baías.  

Mas durante um tempo breve  
iluminamos a fria escuridão,  
a tua noite silenciosa e opaca  
e a paz de teus mortos  
e juntamos nossos sonhos  
aos dos que morreram há tanto tempo.  

Eles sabem mistérios terríveis,  
que só entenderemos quando for tarde demais.
                                        Felipe Coelho 
 

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Dança da chuva

A luz e sua ausência

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