Memórias de Atlântida (VIII)

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Não, ninguém saberá dos amores ardentes, dos ódios e das mesquinharias, da bondade e da alegria dos que te habitaram. Não, ninguém saberá das ambições, das guerras, dos crimes e das glórias, das realizações e heroísmos dos teus reis e navegadores. Não, ninguém saberá dos céus estrelados que guiavam teus navios e decidiam a hora de plantar, e onde astrólogos liam o futuro nas mesmas constelações que banhavam amantes descuidados nas noites da primavera. Agora só restam mapas traçados nas asas de borboletas alimentadas pelas gravuras pintadas com essências de flores nos antigos atlas. Mas teus sábios foram cuidadosos, como os bibliotecários de Borges usaram falsos atlas da terra e do Céu, desenharam também filigranas falsas nas asas, onde as constelações ainda mostravam o céu mas visto de outras galáxias e onde os rios, os mares e as serras eram de planetas desaparecidos onde nunca poderemos pisar. Felipe Coelho http://omnis.if.ufrj.br/~coelho/livros.html |