Memórias de Atlântida (VIII)

 


Não,
ninguém saberá dos amores ardentes,
dos ódios e das mesquinharias,
da bondade e da alegria 
dos que te habitaram.

Não,
ninguém saberá das ambições,
das guerras, dos crimes e das glórias,
das realizações e heroísmos
dos teus reis e navegadores.

Não,
ninguém saberá dos céus estrelados
que guiavam teus navios e decidiam a hora de plantar,
e onde astrólogos liam o futuro nas mesmas constelações
que banhavam amantes descuidados nas noites da primavera.

Agora só restam mapas
traçados nas asas de borboletas
alimentadas pelas gravuras pintadas
com essências de flores nos antigos atlas.

Mas teus sábios foram cuidadosos,
como os bibliotecários de Borges usaram falsos atlas
da terra e do Céu, desenharam também filigranas falsas nas asas,
onde as constelações ainda mostravam o céu
mas visto de outras galáxias e onde os rios, os mares e as serras
eram de planetas desaparecidos onde nunca poderemos pisar.
                                             Felipe Coelho

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Dança da chuva

A luz e sua ausência

A cidade enluarada Atlãntida - I

Atlântida - II

Atlântida - III

Atlântida - IV

Atlântida - V

Atlântida - VI

Atlântida - VII

Atlântida - VIII

Atlântida - IX

Atlântida - X Arrogância E na ausência Moderna teia
Uma manhã   Iluminação I Iluminação II A semente
Os caminhos Tecido luminoso Tardes de outono Despedida