Os
passos de teus sacerdotes ainda ecoam,
geração
após geração, em desertos remotos
atravessados
por rios nascidos em gélidas montanhas
que
só eles conhecem, indo confiantes até santuários,
moradas
do fogo e do vento.
O
que implorarão em seus cânticos
em
esquecidas línguas, palavras voando pelo ar,
cheirando
a mar e a calmo desespero?
O
que recitarão,
suas
faces douradas ao sol da manhã
e
vermelhas e sombrias ao entardecer?
A
melodia das frases
respirará
forte como amantes na escuridão,
como
lamentos de ondas morrendo em rochedos,
como
o ranger da madeira de navios sufocados
pela
garra da tempestade e pelo canto das sereias,
ou
como o passo ritmado de teus exércitos,
quando
marchavam para a batalha.
Mas,
e
esta é a maldição que aflige os sábios
e
os faz chorar silenciosos ao anoitecer,
sua
litania de nascimento e morte de tantos reis
e
de tantas luminosas cidades, seus louvores
aos
desconhecidos deuses que criaram o Universo,
são
ouvidos apenas por pássaros
que
se tornam imensamente tristes
e
se recusam a repeti-los em seus cantos.
Felipe Coelho
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