Memórias de Atlântida (IX)

 


Os passos de teus sacerdotes ainda ecoam,  
geração após geração, em desertos remotos  
atravessados por rios nascidos em gélidas montanhas  
que só eles conhecem, indo confiantes até santuários, 
moradas do fogo e do vento.  

O que implorarão em seus cânticos
em esquecidas línguas, palavras voando pelo ar,  
cheirando a mar e a calmo desespero?  

O que recitarão,  
suas faces douradas ao sol da manhã  
e vermelhas e sombrias ao entardecer?  

A melodia das frases  
respirará forte como amantes na escuridão,  
como lamentos de ondas morrendo em rochedos,  
como o ranger da madeira de navios sufocados  
pela garra da tempestade e pelo canto das sereias,  
ou como o passo ritmado de teus exércitos,  
quando marchavam para a batalha.  

Mas,  
e esta é a maldição que aflige os sábios  
e os faz chorar silenciosos ao anoitecer,  
sua litania de nascimento e morte de tantos reis
e de tantas luminosas cidades, seus louvores  
aos desconhecidos deuses que criaram o Universo,  
são ouvidos apenas por pássaros  
que se tornam imensamente tristes  
e se recusam a repeti-los em seus cantos. 
                                             Felipe Coelho

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Dança da chuva

A luz e sua ausência

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Atlântida - X Arrogância E na ausência Moderna teia
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Os caminhos Tecido luminoso   Tardes de outono Despedida