Despedida


 

As perguntas eram ondas
perplexas, contidas por quebra-mares,
pela escuridão da noite e pelo silêncio dos naufrágios.
Elas não entendiam a necessidade dos rochedos.
Elas os vestiam com sua espuma e seu estrondo.
Elas esperaram respostas,
até se calarem,
cansadas. 

As respostas eram penhascos chorando
as lágrimas que as ondas lhes davam,
inúteis se calavam, nem a dúvida possuíam.
Esperavam que o novo surgisse do ventre do alvorecer,
imploravam silêncio enquanto cortavam fundo
o que não mais queriam, enquanto as cicatrizes floresciam
sua dor, sua vermelha hemorragia.
Elas não entendiam o labirinto que tinham construído. 

E cada uma seguiria por distintas trilhas,
algum dia chegariam onde o vento beija os cabelos
de crianças procurando conchas,
onde os sonhos pisam descalços o veludo
dos corações e do futuro,
talvez chegassem juntas, quem sabe?
Sim, algum dia.
E se despediram.

                       Felipe Coelho

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Dança da chuva

A luz e sua ausência

A cidade enluarada Atlãntida - I

Atlântida - II

Atlântida - III

Atlântida - IV

Atlântida - V

Atlântida - VI

Atlântida - VII

Atlântida - VIII

Atlântida - IX

Atlântida - X Arrogância E na ausência Moderna teia
Uma manhã   Iluminação I Iluminação II A semente
Os caminhos Tecido luminoso   Tardes de outono Despedida