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As
perguntas eram ondas
perplexas, contidas por quebra-mares,
pela escuridão da noite e pelo silêncio dos naufrágios.
Elas não entendiam a necessidade dos rochedos.
Elas os vestiam com sua espuma e seu estrondo.
Elas esperaram respostas,
até se calarem,
cansadas.
As
respostas eram penhascos chorando
as lágrimas que as ondas lhes davam,
inúteis se calavam, nem a dúvida possuíam.
Esperavam que o novo surgisse do ventre do alvorecer,
imploravam silêncio enquanto cortavam fundo
o que não mais queriam, enquanto as cicatrizes floresciam
sua dor, sua vermelha hemorragia.
Elas não entendiam o labirinto que tinham construído.
E
cada uma seguiria por distintas trilhas,
algum dia chegariam onde o vento beija os cabelos
de crianças procurando conchas,
onde os sonhos pisam descalços o veludo
dos corações e do futuro,
talvez chegassem juntas, quem sabe?
Sim, algum dia.
E se despediram.
Felipe Coelho
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