E na ausência surgiu a vida

 

 

 

A ausência era um gigantesco bloco,
estarrecedor desprezo ao fluxo do tempo.
Orquídeas habitavam suas fendas,
confraternizavam com as samambaias,
delirando bêbadas da úmida verdade da Terra,
buscando a luz do Sol,
o vento e os pássaros.

Admirei-a, espantoso nada,
cadeira vazia, transparente janela a ressoar
nas breves melodias ensinadas pelo vento,
aprisionando o Universo do lado de dentro,
enquanto fabricava a vida e, aos poucos,
consegui enxergar sua totalidade,
o quase vazio onde cometas de luz  nasciam.  

Contornei a ausência por dentro de mim,
até vislumbrar sua interna clareira,
ninho de ventos a desabrochar,
e onde começava uma dura construção,
uma alegre doação.
Silenciei então e os ecos adormeceram,
grávidos de espanto.

         Felipe Coelho

***

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Dança da chuva

A luz e sua ausência

A cidade enluarada Atlãntida - I

Atlântida - II

Atlântida - III

Atlântida - IV

Atlântida - V

Atlântida - VI

Atlântida - VII

Atlântida - VIII

Atlântida - IX

Atlântida - X Arrogância E na ausência Moderna teia
Uma manhã   Iluminação I Iluminação II   A semente  
Os caminhos Tecido luminoso   Tardes de outono Despedida