|
O
vento que inexistia,
a
clareira vazia
-
se não fosse o luar,
cortado
pelas nuvens
e
pelos ramos de figueira -
os
tigres,
o
silêncio
tudo
era máscara
e
um homem inquieto
perguntava
o segredo.
Ao
seu redor
invisíveis
ciclos
de
colheitas e semeaduras,
de
chuvas e secas,
de
mortes e vidas,
de
declínio e ascensão:
impérios,
pessoas e seres
brotando
e se exaurindo.
Ao
longe
invisíveis
montanhas, gélidas imensidões
onde
a terra não queria brotar
nem
o homem erguer cidades.
Ao
longe
invisíveis
oceanos, salgadas imensidões
apenas
tolerando o homem e seus barcos,
visitando
sempre as mesmas praias.
Ao
longe
apenas
a ausência, a inocente crueldade
do
gelo e da avalanche, das ondas e das tempestades
o
mesmo ontem sendo sempre
o
mesmo amanhã, o eterno fim
perfeito,
onde tudo era para sempre.
E
dentro de si
o
homem tinha a angústia do que perdera
e
o sofrimento. Entre o eterno e o ciclo
onde
poderia alguém ficar?
Felipe Coelho
***
http://omnis.if.ufrj.br/~coelho/livros.html
e
http://usuarios.cultura.com.br/migliari/
|