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Ventos
luminosos, Ícaros feitos de satélites,
de asas eletromagnéticas e de fibras óticas,
sopram sonhos e realidades,
palavras e imagens,
números e esperanças,
telefones e computadores,
celulares e secretárias eletrônicas,
com a velocidade da luz.
Não
mais o romantismo e o desespero
da espera de semanas pela resposta da carta,
a desculpa do extravio, o medo
de abrir o envelope com a resposta
- talvez fatal, talvez sonho, ou ambos -
ou a paralisia quando o telefone toca
sem ser atendido.
Mas
como transmitir o silêncio?
O que dizer quando as palavras se recusam
a serem faladas e se enredam em labirintos,
enquanto esperanças ressecam paralisadas
até morrerem
ou até conseguirem se libertar?
Não
sabemos
e a tecnologia não nos ajuda
nas respostas.
Felipe Coelho
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