Queria o que, a louca Ismália?
A pureza do céu?
A escuridão do mar?
(Dentro dela passavam ventos,
raios, trovões e as portas
batiam,
sua alma tremendo no frio dos
sonhos,
encharcada de lágrimas, molhada
de chuva,
e era noite.)
Era ela mesmo, a louca Ismália?
Eram suas as mãos no parapeito?
Eram seus os olhos de
despedida?
(Dentro dela incessantes ondas
varriam metálicos tombadilhos,
sua alma presa à água,
tinha escamas e chorava,
era sereia e era náufraga.)
Saberia ver, a louca Ismália?
Saberia onde acabava o céu?
Saberia onde começava o mar?
(Dentro dela tudo era escuro,
uma parte de sua alma não
enxergava a outra,
o negro céu, o negro mar,
era o antes do começo,
era o depois do fim.)
Mas estava só,
até suas almas a abandonavam,
uma visitando o vazio das
estrelas,
a outra despencando na densidão
do mar.
Fez então companhia a suas
perguntas,
que flutuavam no ar.
Felipe Coelho

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