O telefone
toca
e não respondo mesmo quando
falo
pois a verdadeira resposta
escorregou
escalando cristalinas
montanhas
e, respirando ares
rarefeitos,
se despedaçou apavorada na
queda
cada parte jurando ser a
verdadeira.
O telefone toca
e não entendo mesmo quando
ouço
pois a voz não é a que
morava no sonho
dividido pelas arestas das
pedras,
esmurrado pela queda,
e seus ecos não falam
do sangue na face.
O telefone toca
e não vivo mesmo quando
respiro
pois muito em mim partiu,
não sei costurar os cortes
e sangro.
Felipe Coelho
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