Tardes no outono
Felipe Coelho  

 

      

Tudo nos avisa,
as nuvens sonoras das cigarras
(densas presenças que tombam exaustas
de seu infindável show),
os tapetes de amêndoas caídas nas calçadas,
onde nunca germinarão, e que pés distraídos chutam,
o azulado oceano tornado negro, frio mármore
murmurando obscenos delírios para desconhecidos casais
na areia,
o céu de sangue a escurecer, coagulando lentamente
não mais visitado pela luz do sol
e os lagartos que somem de seus aquecidos granitos
limitados pelo mar e pelo céu.

Tudo se desenrola claramente
mas não o entendemos,
as gotas de chuva golpearão a fina membrana do mar
mas não as ouviremos
e os pensamentos se alastrarão na alma,
silenciosos.

Felipe Coelho

***

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Dança da chuva

A luz e sua ausência

A cidade enluarada Atlãntida - I

Atlântida - II

Atlântida - III

Atlântida - IV

Atlântida - V

Atlântida - VI

Atlântida - VII

Atlântida - VIII

Atlântida - IX

Atlântida - X Arrogância E na ausência Moderna teia
Uma manhã   Iluminação I Iluminação II A semente
Os caminhos Tecido luminoso   Tardes de outono Despedida