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Tudo
nos avisa,
as nuvens sonoras das cigarras
(densas presenças que tombam exaustas
de seu infindável show),
os tapetes de amêndoas caídas nas calçadas,
onde nunca germinarão, e que pés distraídos chutam,
o azulado oceano tornado negro, frio mármore
murmurando obscenos delírios para desconhecidos casais na
areia,
o céu de sangue a escurecer, coagulando lentamente
não mais visitado pela luz do sol
e os lagartos que somem de seus aquecidos granitos
limitados pelo mar e pelo céu.
Tudo
se desenrola claramente
mas não o entendemos,
as gotas de chuva golpearão a fina membrana do mar
mas não as ouviremos
e os pensamentos se alastrarão na alma,
silenciosos.
Felipe
Coelho
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