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As árvores às vezes se
despem
frente ao silêncio do
inverno
e bordam submissas o chão
com suas folhas
multicoloridas
enquanto as cores do mundo
se calam
num coral de branco e cinza
e o ar é varrido por ventos
tristes,
frios como a ausência.
Nas salas quase vazias
a alma de calor das lareiras
é então invocada,
madeiras devolvendo a luz do
Sol
que beberam quando vivas,
seu fogo e sua luz
afugentando
lembranças de crimes e
fantasmas
para os cantos escuros e
frios.
Lá estarão os que foram
emparedados vivos
e uivam com o vento, os
assassinados em romances
(Agatha Cristie? Conan Doyle?)
racionalmente vítimas da
sede do dinheiro,
britanicamente
desconfortáveis se trazidos à fama,
lembranças de antepassados
solenes em seus quadros,
lembranças que se adensam
longe da luz
(areia movediça das sombras
de corpos já desaparecidos?
folhas que a correnteza
deposita nas margens e esquece?)
apenas para desaparecer com
um toque no interruptor
e a explosão de luz das
lâmpadas.
Felipe Coelho

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