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Nas ruas, nos postes, nas
lâmpadas,
raios de luz pendem, fios
de fiéis Ariadnes, para guiar
os que navegam na cidade noturna,
nos labirintos sem Minotauros.
(Talvez estejam lá, imersas
na escuridão,
as solitárias feras da noite e da morte,
mantidas à distância pelos chicotes de luz
e pela certeza que tem de inexistirem,
seus cascos e chifres afiados
ansiando pelo sangue.)
Mas sempre, sempre, mais uma
vez
o horror do ódio valoriza a claridade do amor,
como sanguinários nômades que destroem cidades
para logo as reconstruir e nelas habitar,
mais uma vez as trevas emolduram a vitória da luz.
Chamam para a vida faróis,
lareiras e lâmpadas
e os labirintos noturnos se fundem e se clareiam
com mapas, livros e satélites dissolvendo o mistério
de selvas e de caminhos, como a luz do Sol
apagando a névoa da manhã.
Felipe Coelho

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