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A luz e os labirintos hoje
são outros
e onde Marco Polo descrevia espantos
de beleza, esplendor, magia e ciência
lá hoje os labirintos foram perdidos,
resta apenas a vida da miséria,
simples, indigna, subalterna,
o maravilhoso foi dissecado,
guardado no formol de teses de antropologia
e fotos turísticas.
Tortuosos caminhos mágicos
de peregrinos,
de buscas, de comerciantes, de conquistadores
e de palavras sonoras úmidas de sonho:
Santo Graal! Shangri-lá! Eldorado! Meca!
Santiago de Compostela! Terra Prometida!
Caminho da seda! Fonte da Juventude! Lhasa!
Desaparecidos da Terra? Destruídos
pela luz de parciais verdades ou pela
seta inexorável do Tempo? Não.
Dentro de nós brilham, mais
fortes que nunca,
onde sempre estiveram.
Lá existem para permitir que Ariadne ajude Teseu,
lá o desconhecido e o maravilhoso vivem,
ressurgem no fogo do olhar e na luz da amizade,
se ramificam e se enfeitam sempre.
Lá o deserto hostil cria sempre a beleza do oásis
e a alegria da água bebida na sombra.
Ressurgem sempre os labirintos
no eterno mistério de ajudar aos que nos rodeiam
e aos que nunca veremos, e com eles dividindo
as migalhas do presente e os tesouros do sonho.
Suas indestrutíveis paredes de luz e trevas
formam palácios habitados pela chama que nos queima
e que nos faz ajudar um pássaro ferido,
um desconhecido.
Felipe Coelho

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