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Era
manhã quando o sorriso brilhava
em guardados espantos
súbito dados,
cortando o dia e a vida
num antes e num depois.
Era
manhã quando o silêncio deixou de existir,
saiu de opacas cristaleiras,
e os rios guardados tornaram-se visíveis,
água a refletir o sol e a sombra.
Era manhã
e havia palavras.
Mesmo as que nunca seriam
pronunciadas.
Felipe Coelho
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