Um presente
Felipe Coelho  

 

 

      

Gostaria de tecer teias de palavras,
onde penhascos brancos refletissem o sol.
Fugiria da luz, iria para fundos vales
sombrios, carregados de úmidas samambaias,
onde a vida floresce.  

Mas não! Há alvos palácios de calcário,
há visões fabulosas a refletir as ondas e os ventos,
há veias de água a pular de dentro da pedra,
mas como escrever o que nunca possuí,
como cantar as músicas que esqueci? 

Serei capaz,
algum dia,
de falar dos reflexos que te rodeiam
e que devolvem tua luz,
envergonhados?

Felipe Coelho

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