Sines -
Portugal
21.03.2004
Morrer
Morrer, poeta, é
abandonar os sonhos
Não ter caminhos
para caminhar
Não ter amigos,
saudades e nem amores
É viver só, é só
viver sem se encontrar.
Morrer é deixar de
se buscar
É ter todo vazio o
coração
Ter olhos, mas não
ter por quem chorar
Perder-se em si,
não ter mais ilusão.
Morrer é afogar-se
em mar de calmaria
Abandonar o barco
que ao porto está a chegar
Não enxergar o sol
que nasce a cada dia
Nem ver no céu
estrelas e nem luar.
Morrer é partir
sem ir embora
É cerrar os olhos
e não ver a aurora
Que no oriente
está a despontar...
Morrer é deixar de
ver poentes
Cessar o riso, é
se fazer ausente
Morrer é
morrer...e nada mais...
Bauru -
Março/2004