A gente quase acredita no amor

                              Ângela (Lyra)

 

 

  

A gente quase acredita no amor. A gente trama sonhos acordada, imagina um peito largo acolhedor e quente para encostar a cabeça e chorar até esvaziar a ultima gota de lágrima que guardamos nos olhos. A gente quer por a roupa Dele para sentir o cheiro e impregnar a pele. Para sempre. A gente fica prenhe de sons e tons na cabeça, e trançamos sinais emblemas riscos rabiscos e fazemos um hematoma no corpo, uma marca definitiva. A gente bebe poções amargas, traga um cigarro longamente, solta a fumaça vê os desenhos e imagina que tem símbolo, um signo a ser decifrado ali. A gente tem presságios, tem urgências tem dormências tem suores tem calafrios. A casa fica enorme de tantos passos que vem e vão e a sombra acompanha solidariamente na escuridão da noite quando tomamos uma sopa de estrelas para alimentar a alma. A gente pensa que morre e ressuscita toda noite e todo dia. Um flagelo imposto onde   as costas sentem a chibatada dos olhos que nunca vêem . E não tem riso e nem sorriso, uma agonização percorre a espinha como uma serpente preste a dar o bote.  Sentir o perigo iminente a rondar a vida: O medo que Ele não venha nunca mais... A impressão de ter que desmanchar o ninho feito na primavera para aconchegar o amor que quase acreditamos existir.
 

   Ângela (Lyra)

 

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