A gente
quase acredita no amor. A gente trama sonhos acordada, imagina um peito
largo acolhedor e quente para encostar a cabeça e chorar até esvaziar a
ultima gota de lágrima que guardamos nos olhos. A gente quer por a roupa
Dele para sentir o cheiro e impregnar a pele. Para sempre. A gente fica
prenhe de sons e tons na cabeça, e trançamos sinais emblemas riscos
rabiscos e fazemos um hematoma no corpo, uma marca definitiva. A gente
bebe poções amargas, traga um cigarro longamente, solta a fumaça vê os
desenhos e imagina que tem símbolo, um signo a ser decifrado ali. A gente
tem presságios, tem urgências tem dormências tem suores tem calafrios. A
casa fica enorme de tantos passos que vem e vão e a sombra acompanha
solidariamente na escuridão da noite quando tomamos uma sopa de estrelas
para alimentar a alma. A gente pensa que morre e ressuscita toda noite e
todo dia. Um flagelo imposto onde as costas sentem a chibatada dos olhos
que nunca vêem . E não tem riso e nem sorriso, uma agonização percorre a
espinha como uma serpente preste a dar o bote. Sentir o perigo iminente a
rondar a vida: O medo que Ele não venha nunca mais... A impressão de ter
que desmanchar o ninho feito na primavera para aconchegar o amor que quase
acreditamos existir.
Ângela (Lyra)

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Ângela:
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