ÁRVORES

 

             &&nbsb ;     Marisa

 

 

 

 

 

Depois de alguns dias de ausência, fui hoje de manhã ao parque, levando o coração transbordante de alegria. Lá estavam minhas amigas árvores, balançando os galhos sob o céu azul e o sol brilhante, exibindo os primeiros brotos, como anunciando o final deste inverno esquisito. A "estranha", para minha surpresa, mostrava três botões que devem abrir na próxima semana. Suas flores brancas são lindas e raras, só aparecendo quando os galhos estão totalmente despidos de folhas. Mais adiante, cumprimentei o velho amigo eucalipto: forte, altivo e sábio. Dei-lhe um abraço saudoso e sentei-me aos seus pés. Como se recitasse uma poesia de Lorca, ele perguntou-me:
- Porque trazes o coração em festa?
Eu, recordando o Pássaro Encantado, do Rubem Alves, contei-lhe das coisas que trazia no coração: os cheiros, os sons e as cores de outros bosques, de outras águas, de outras terras. Disse que dancei a melodia de outras aragens, sabendo que aqueles que eu amo também dançavam comigo sob outros céus. Falei de garças e araras, de lontras e sagüis, tartarugas e jacarés, de casas antigas e pessoas amáveis...
Então foi minha vez de perguntar-lhe as novidades. Ele contou-me que o vento do nordeste trouxe-lhe a notícia que a querida palmeira do Marrocos está doente (a palmeira que aprendi a amar mesmo sem conhecê-la, porque o amor não depende da presença: o amor é existência). Aconcheguei-me ao tronco do amigo, comungando sentimentos e lágrimas.
Com o céu e a dor no coração, sob a luz brilhante do sol, enviamos através do vento sudoeste uma prece de amor e fé para a bem amada palmeira, confiantes que, brevemente, outros ventos nos trarão boas novas.
 

Marisa.

 Blog da Marisa:
http://marisa.asis.blog.uol.com.br


Poesias da Marisa neste site:
Clique aqui