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"Ouve estes
versos que te dou. Eu os fiz
hoje, que sinto o coração contente.
Enquanto o teu amor for meu somente,
eu farei versos e serei feliz"
J.G. de Araújo Jorge: Os Versos Que Te Dou
Hoje bateu saudade da poesia de J. G. de Araújo Jorge. Talvez porque é
abril, o céu está tão azul e o meu coração contente.
Lembrei-me da minha adolescência. Dos versos do poeta que tinham um
lugar especial no caderno de poesias de todas as mocinhas daquele
tempo. Sim, porque éramos mocinhas e não gatas ou
popozudas. E, como todas as mocinhas românticas, eu também tinha
um caderno de poemas, como um registro dos sonhos que acalentava.
Quantas noites, cabeça no travesseiro, recitei os poemas de J.G.,
sonhando com o amor ideal... aquele que me fizesse versos assim, com
promessas de eternidade.
O tempo passou. Meu caderno de poesias foi parar na rádio da cidade e
um locutor de voz empostada, à noite, declamava os poemas com músicas
românticas no fundo. Aqueles versos foram acalentar outros sonhos
através das ondas sonoras da Rádio Marconi de Paraguaçu Paulista. O
caderno ainda deve estar por lá, esquecido em algum arquivo
empoeirado.
Li outras produções poéticas mais requintadas: o perfeccionismo de
Drummond, a lírica revolucionária de Ferreira Gullar, o profundo
intimismo de Cecília Meireles, o balé das palavras de Affonso Romano
de Sant'Anna. Encantam-me a beleza destes versos esculpidos a cinzel,
moldados no rigor das formas. Obras de Arte Poética.
Mas quando o céu fica assim azul e o meu coração está contente, penso
nos versos que J.G. me deu. Lindos, como sonhos embalados pra
presente!
Marisa/abril/2002
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