FECHADO PARA BALANÇO
Fechei para balanço.
Tudo estava ali para ser contado, catalogado, analisado, avaliado:
- Quantas PREOCUPAÇÕES inúteis, sem valor! Para que contabilizá-las? Melhor jogá-las fora. (Há quem goste até de usar as preocupações alheias, pois julga as suas muito poucas).
- Quanto vale esse sentimento inútil chamado AMOR? Só tem mão única, machuca, tem pouco valor de mercado... Está mesmo um pouco fora de moda.
- O estoque de LEMBRANÇAS é muito grande, precisa ser posto em liquidação. Vou deixar somente as agradáveis, que podem se valorizar com o tempo.
Tanta TERNURA se direção, sem endereço, sem interessados em ao menos prová-la. Tampouco lhe dão o devido valor. Melhor escondê-la sob a prateleira da indiferença.
- As MÁGOAS também são muitas. Ninguém gosta, mas acabam sempre sendo cultivadas por um ou outro. Melhor manter o estoque baixo, desfazer-se das maiores.
- SAUDADES... Quantas!!! Serão colocadas com as lembranças agradáveis. Juntas servem para aquietar corações.
- FELICIDADE... engraçado... não sei onde deixei! Deve ter ficado no caminho, quando perdi as ILUSÕES.
- TRISTEZA ... Quando penso que não há mais, sempre aparece... Preciso ver o que fazer com ela. Mercadoria ingrata!
- ESPERANÇA: Tem tão pouca! Mas é valiosa! Vou deixá-la bem guardada, para quando reabrir meu coração para a vida.
Neusimar- 15/02/2000

C
L A S S I F I C A D O S
PROCURA-SE:
- UM PORTO SEGURO PARA ANCORAR CORAÇÃO À DERIVA,
COM
VELAS ARRIADAS E
DESVIADO DE SUA ROTA.
- UM LINDO ARCO-ÍRIS, QUE FUNCIONE DE VERDADE:
DEVE SEMPRE
ANUNCIAR O FIM
DOS TEMPORAIS DAS ALMAS INQUIETAS;
- UM ARMÁRIO SIMPLES, QUE NA SUA SIMPLICIDADE
NÃO
CONFUNDA OS ESPAÇOS,
ACONDICIONANDO OS SENTIMENTOS
CADA UM EM
SUA GAVETA, SEM MISTURÁ-LOS;
- ÓCULOS ESPECIAIS PARA OLHARES TRISTES, PERDIDOS,
VAZIOS.
SUAS LENTES DEVEM
SER FEITAS DE ESPERANÇA E FÉ NA VIDA.
AS OFERTAS DEVEM SER ENCAMINHADAS PARA:
"COMPRADOR
DE ILUSÕES".
Neusimar
- 15/02/00
M
à O S M O R T A S
Não eram belas, nem expressivas. Mãos morenas, fortes, rudes.
Traziam, porém, o mistério do coração.
Parecia que
o coração se transportara
para as mãos.
E o toque daquelas mãos era mágico.
Trazia
vida, luz, alegria.
Então as mãos foram se transformando,
ficando
pequenas, fracas,
envelhecidas.
Quanto mais fracas,
mais
forças possuíam para machucar, magoar, ferir.
Pois não eram mais mãos.
Eram
o gelo da lembrança fria que congelava o
coração.
Neusimar
17/02/00